na rua, na chuva ou na fazenda

quarta-feira, setembro 13, 2017

as malas da redenção

onze entre dez baianos reagiram com uma sincera inveja à descoberta do navio santa clara* e seus tesouros em plena sala de um apartamento num bairro no antigo centro nobre de salvador. emprestado por um amigo, o apartamento - que se tornou uma espécie de eldorado - serviu, depois da descoberta do tesouro escondido, de motivo de descontentamento para os moradores humanos do prédio que tiveram atraida para o seu, até então bucólico sossego, as atenções de gregos, soteropolitanos, jornalistas, blogueiros e até fofoqueiros de todo o país. quanto desconforto!

pois bem, o tesouro de ali babá encontrado no bairro da graça deixou no ar inúmeras e variadas opiniões. variaram do "como é que eu não sabia disso?" a até o famoso "eu já imaginava!". mas revelou também uma demonstração do que o amor materno pode fazer pela sua cria. para minimizar 51 milhões e alguns trocados de esperteza, a mãe do dono dessa dinheirama, mesmo tendo sido visitada pelos agentes da lei - que não perdoa a posse de tesouros escamoteados sem declaração do imposto de renda, fundo partidário e o quinhão de banco dos mais chegados, declarou com os olhos rasos d'água que seu filho amado, sofria de uma doença psíquica: a cleptomania!

a moléstia que acomete o gordinho ex-todo poderoso nas salas, ante e entre-salas de brasilha é uma doença que, ao que parece, naquelas e em outras plagas vem se tornado de tal forma contagiosa que, daqui mais um pouco, a organização mundial da saúde vai recomendar que os cientistas se debrucem à cata de uma vacina para blindar os mandatários de todas as esferas de governo mundo afora. mas, como criar uma vacina dessa estirpe, já que a bendita doença é da cabeça, da personalidade, é da alma? vai que a gente precisa mesmo, para que isso dê certo, daquela máxima da rainha do conto alice no país das maravilhas: "cortem-lhes as cabeças!"

pensando bem - e olhe que se eu pensasse tão bem assim provavelmente não seria eu - as malas e caixas que criaram essa imagem da nau santa clara, do eldorado, de tesouro de ali babá na minha cabeça, podem muito bem ter sido as malas da destruição do que restava do poder do gordinho valente que chora quando é picado por uma reles muriçoca. podem ter sido... pra ele e o seu clã e agregados mas, pra muita, muita gente mesmo, seriam isto sim, as malas da redenção! o santo graal dos acasos.

*curiosamente, o santa clara saiu de salvador com uma carga avaliada em, cerca 200 milhões de dólares atuais e naufragou ali pelas bandas de arembepe, bem perto de onde o moço dos parcos 51 milhões (de reais) mantém um bela casa.

terça-feira, agosto 15, 2017

reconhecimento de paternidade ou o que falta do que fazer não faz?

 hoje cedo, nas minhas viagens pelos sites de notícias da cidade da bahia, me deparei com uma notícia deveras assustadora para quem, como eu, gosta de animais ou mais sofisticadamente falando, "pets". a desalentadora notícia tinha como pano de fundo a iniciativa de uma vereadora (escrevo assim por ignorar completamente o feminino de 'edil' e tenho a vaidade de querer escrever de forma culta) que pretende obrigar os cartórios a emitirem certidões de nascimento para cães e gatos soteropolitanos tornando por consequência, os declarantes dos dados constantes dessas certidões mães e pais dos canídeos e felinos que com eles convivem. 

portalcafebrasil.com.br
a moça - que me perdoe a presunção - afirma que sua iniciativa vai promover uma maior integração entre os animais e a família dos seus donos (quero dizer, pais) e ainda vai facilitar a locomoção dos bichanos e totós nas viagens da família porque, ao lado da tal certidão de nascimento, vai também uma "carteira de identidade" dos bichinhos com direito a foto e devidamente reconhecida pela autoridade cartorária. ah, sim, haverá também a obrigatoriedade de "dar o nome" ao bicho. quer dizer: na hora em que o bicho é reconhecido em cartório como membro da família, ele ganha também o direito de usar o seu sobrenome. 

lá em casa, em priscas eras, quando um casal de akitas era dono do terreiro, ia ser uma festa! uroi, um akita tigrado, iria se chamar uroi vittorio roma de santana. peraê! dona dida teria parido um cachorro?! valha-me deus! pior seria se um 'adevogado' desses mal intencionados resolvesse exigir que o meu cachorro, a partir do momento em que foi reconhecido como filho tivesse todo o direito inerente à sua nova posição no seio familiar? 

isto que cito acima é apenas a ponta visível do iceberg do projeto da ilustre defensora dos pets. em sua justificativa, ela chega a dizer "eu tenho vontade de ter o registro do meu animal, do meu filho!" aí eu me pego imaginando uma cena em que ela, vai caminhando com seu maltezinho ou chihuaha ou vira-latas e encontra uma amiga de longas datas: "matilde, querida, há quanto tempo!" "oi, mila, menina, você não mudou nada e que cachorrinho lindo esse!" "ah, menina, este é meu filhinho toby, de dois anos" "ah, querida, e você casou quando?"

pior é se, seguindo sua iniciativa, outros parlamentares da mesma linha de defensores dos animais resolverem aperfeiçoar sua ideia e estenderem-na para outras espécies. nossenhora! o que vai ter de orgulhosos pais dizendo "meu filho é um jumento" ou mães gloriosas curtindo no face "olha só a vaca da minha filha!"

o que a falta do que fazer não faz?


sexta-feira, junho 02, 2017

desisti de desistir (o retorno)

diante de tanta ignomínia que tenho visto, ouvido e lido sobre a república brasilis nesses tempos bicudos de lava-jato, eu havia decidido abrir mão do direito de tentar opinar sobre tudo isto que vem acontecendo. porém, ah! porém, como diria o mestre paulinho da viola, descuidei-me da minha decisão e eis-me aqui, outra vez, falando por escrito, aquilo que me vai na alma brasileira que carrego nas costas. no noticiário de sexta-feira (2 de junho), luizignatiusluladasilva, primeiro e único (e espero, último) boquirrotou para quem quisesse ouvi-lo (e existem milhões de tolos que o veneram)entre gargalhadas da plateia: "um canalha de um empresário diz que fez uma conta no exterior pra mim e pra dilma, mas a conta está no nome dele e ele que mexe na grana. tá na hora de parar de palhaçada, que o país não aguenta mais viver nessa situação, nesse achincalhamento."


investigado em cinco inquéritos na operação comandada pelo juiz sergio moro (eleito como o incendiador de brasilha e de outros cantos das grandes empreiteiras),  ignatiusluladasilva manipula com extrema habilidade a multidão embasbacada que o acompanha nos comícios que tem feito desde que começaram as investigações. ora vítima, ora algoz, ora criminoso ora herói, ele ganhou, de há muito,  o meu respeito por essa habilidade. sim, eu o respeito como um dos mais habilidosos políticos que este país já concebeu algum dia. sem diplomas acadêmicos - à exceção daqueles honoríficos - o sujeito que passou de "sapo barbudo" a "pai dos pobres" com suas ações de cunho assistencial-populista como um getúlio vargas nordestino (embora ele o negue sempre com atitudes que nada tem a ver com o sertanejo deste lado de cá do país), ignatius, cuja enorme capacidade de articulação e manipulação é a mesma da sua voracidade aos espíritos etílicos sejam lá de que procedência forem, desqualifica toda e qualquer acusação. na verdade, ele nem deveria mais tentar desqualificá-las mais já que a culpa foi, segundo ele mesmo em depoimento a moro, da pobre dona marisa, egressa deste mundo de meu deus há pouco tempo. declaração das mais infelizes que esse astro do picadeiro em que o brasil se transformou já pode prestar.

deixemo-lo de lado, vamos pensar nas outras pobres criaturas que, como ele (não deu pra deixá-lo completamente de lado), foram ou são alvos da lava-jato: luiz argolo, ex-deputado federal, antonio palocci, ex-braço direito de ignatius; marcelo odebrecht, ex-mandachuva da empresa que leva o nome da sua família; eduardo cunha, ex-todo poderoso da câmara; sergio cabral, ex-governador do rídejanêro e amante de jóias e jantares nababescos... todos (por enquanto) enjaulados e apreciando a paisagem das janelas (?) de suas celas. outros, que não foram e não são alvos da lava-jato, percorrem as ruas e vielas do país como baratas tontas procurando emprego, comida, escola, saúde e tudo o que o estado deveria - em tese - ser o provedor, estão tão encarcerados quanto os acima citados e seus companheiros que não foram aqui nominados. são prisioneiros de homens sem escrúpulos (e suas mulheres) que fazem valer a máxima  publicitária cunhada na década de 70 do século passado quando um jogador de futebol dizia que "como todo brasileiro, eu gosto de levar vantagem em tudo!".

o empresário-bomba, joesley batista, também está luxuosamente prisioneiro na quintavenida lá de noviorque em seu apartamento de 52 milhões de dólares. enquanto isso, sãpaulo se divide em cracolândias e o rídejaneiro vê as armas dos traficantes chegarem em seu principal aeroporto. mas "o rio de janeiro continua lindo..." diria gilberto gil em seus antigos devaneios musicais. aliás, o rio de janeiro continua sendo o principal polo de tráfico internacional de cocaína do país, continua sendo o quartel general dos barões da droga. infelizmente. porque, como o resto dos brasileiros, o rio de janeiro não merecia e nem merece ter se tornado isto. chicobuarqueando: "amanhã, há de ser outro dia..."


e como nem só de luizignatius et caterva vive o meu desapontamento com este brasilvaronil, o atual inquilino do palácio do planalto e que prefere se homiziar no palácio do jaburu, também articula e manobra suas artimanhas: para proteger seus aliados e quebra-facas, baixa medidas provisórias como as crianças baixam aqueles joguinhos enjoados no tablets. só que, no caso dele, são ordens que blindam seus asseclas e os isolam da possibilidade (real) de visitarem, na condição de hóspedes, os mesmos presídios da turma que falei lá em cima; para se proteger, demite e nomeia ministros justamente para os tribunais onde ele poderia, eventualmente, ir parar.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

encarcerados

finalmente, as grandes redes de tevê brasileiras decidiram-se a mostrar, ainda que superficialmente, a guerra civil em curso no brasil. deixaram de lado as mazelas bolivarianas, as querelas religiosamente discutidas a mísseis, bombas e correlatos lá do oriente médio, a catequização supostamente evangélica dos macedos e seus congêneres praticada exaustivamente com o fito de enriquecer "bispos", "apóstolos" "pastores" e nenhum "judas" através de horários comprados ou não e deram notícias sobre o quanto se mata neste imenso país tropical. nem todas o fizeram, claro. mas devem ter lá suas razões.

foram declinados da cobertura, a turma lá do éssetêéfe, a mulher do cunha, o sofrimento de cabral, e o calvário de odebrecht lá em curitiba. sequer foram lembrados "à vera" o calheiros, o maia ou mesmo o temer - presidente tão acidental quanto a matança lá do amazonas - ou o collor de mello, grande defensor dos seus direitos e autor de metade dos pedidos de impugnação do procurador janot e dos juízes do tribunal que citei acima.

eu não sei  - e aí me perdoem a ignorância - qual a população carcerária do brasil (se é que se pode chamar de cárcere aquele lugar onde se fazem festas regadas a whiskies, vodkas e etcoetera servidas por prostitutas ou melhor dizendo, garotas de programa e com segurança estatal na figura dos guardas penitenciários agenciados por diretores penitenciários e, algumas vezes, desembargadores). só sei que mesmo chegando a 10 ou 20 por cento do total de brasileiros, ela já se organizou social e politicamente. tem toda uma cadeia (trocadilho mais infame!) de comando digna de brasilha.

organizaram-se em "facções" onde cada um toma partido (mais um trocadilho miserável!) para o que mais lhe convier e menos lhe ameace o pescoço. tem partido, quero dizer, facção pra todo gosto: pcc. cv, cn e muito mais dessa sopa de letrinhas que o brasileiro tanto se apega. nas terras baianas, onde a criatividade reina, existem o bdm e as outras siglas já ditas acima e uma outra de nomezinho bem sugestivo: katyara. quanta singeleza!

estamos nos primeiros dias de 2017 e, sem nenhuma sombra de dúvida, a articulação político-administrativa dessa parcela de brasileiros, mostra que sabe mandar e sabe se fazer obedecer. para mostrar seu poder de organização e mando, determinou a seus ministros, secretários, subsecretários e juízes uma ação efetiva em todos os seus palácios e o resultado é - até porque a ordem é ainda vigente - algo em torno de 200 mortos. pelo menos metade deles, decapitada.

a sorte do povo que esvoaça em brasilha é que, lá não se cortam cabeças. pelo menos não literalmente. de qualquer maneira, embora estejamos, em tese, livres da prisão, vivemos todos encarcerados.  

quarta-feira, dezembro 07, 2016

"Tempos estranhos os vivenciados nesta sofrida República",

ando mesmerizado com esse brasil varonil dos últimos tempos. até parece que a nação inteira está sofrendo de transtorno bipolar ou de esclerose múltipla ou de esquizofrenia aguda ou de imbecilidade crônica. qualquer das opções parece ser válida. assim, tem dias que o país é uma alegria só, uma gargalhada só. dia seguinte é uma tristeza de dar dó. dia seguinte ao dia seguinte, é de uma violência ímpar - mata-se diariamente no brasil uma batalha africana. na sequência desses dias, pacifica-se em meio à sua guerra pessoal e chora pitangas por jornalistas e jogadores de futebol. é um país justo e fraterno em meio a tanta injustiça e fratricídio generalizado.


é este brasil que me apavora, já que não me encanta. lá em brasilha, que teve a honra de receber brasileiros ilustres e outros nem tanto assim (penso que aquele rapaz lá, da aventura palociana, era sim, um dos mais ilustres embora menos letrado), a bruxa anda solta - falando nisso, o quer quer dizer "estou na bruxa"? - num joguinho absurdamente estranho que começou com a derrocada de madame rousseff, avatar de ignatius, as peças do dominó do poder também caem, sequencialmente, uma atrás da outra. e essa queda parece não ter fim. primeiro, dilma; depois, o cunha; agora, o renan periga seguir o mesmo caminho e abrir caminho para os jucás, os vianna et caterva. até o temer, que deixou seu articulador-mor, geddel, cair, pode também seguir este caminho. mas renan, e não somente ele, não quer cair sem lutar, sem espernear. afastado da presidência do senado pela corte suprema da justiça que o tornou réu, renan não se afastou. muito pelo contrário: juntou seus coligados - pra não usar algo mais pesado na definição - e determinou que soldassem sua bunda à cadeira que o garante como um provável substituto de temer numa provável ausência - curta, prolongada ou até mesmo defintiva.
a frase que dá título a esta postagem não é minha. é do ministro marco aurélio mello que afastou o renitente não afastado renan. e ele tem toda razão. os parlamentares, diante da lava-jato comandada por um tal sérgio moro, de quem eu nunca havia ouvido falar até começarem a ruir os pilares do congresso, inventaram de criar uma nova lei para se juntar às milhares - e quase inúteis - que já temos por aqui: um pacote anti-corrupção que previa julgamentos rápidos e penas duras para tal crime. aí, na calada da noite, sorrateiramente, mudaram a zorra toda e ainda pespegaram um tal de crime por abuso de autoridade a ser imputado a juízes, promotores e policiais ao investigar possíveis criminosos. desmoralizado o congresso, cambaleante o executivo, resta apenas enxovalhar, achincalhar, desmoralizar a justiça.

é... tempos estranhos os vivenciados nesta sofrida república!

quarta-feira, julho 13, 2016

homens sábios...


durante todo esse imbróglio - que ainda não acabou - lá nas pradarias de brasilha, eu fiquei aqui, no meu cantinho, mudo. até porque o mar não está pra peixe nem o céu pra urubu. vai ver que alguém resolve, nem que seja de brincadeira, apontar o dedo pra mim e vocês bem o sabem que, nesses tempos de lavagens a jato, até que você prove que jacaré não voa, o bicho pega e pega feio. mas voltemos ao que interessa já que, medo desses negócios eu não carrego ou, se carrego, nunca senti o peso.


recomecemos: durante todo esse imbróglio lá nas pradarias de brasilha, eu fiquei no meu cantinho completamente mudo, com olhos esbugalhados e ouvidos estuprados, vilipendiados a não mais poder diante de tudo que via e ouvia (continuo vendo e ouvindo). o brasil é estarrecedor. desde os primeiros tempos de brasil. emparedado por denúncias sobre denúncias e embasbacado diante do cinismo vigente de quem, por definição, deveria ser liso (no sentido de honestidade) me sentia assim meio que o cocô do cavalo do bandido que roubou seu próprio parceiro. e olhe que o cavalo nem merecia estar no meio dessa bandalheira!


bem, diante do exposto, vamos ao que interessa e que é o motivo desta postagem: duas frases, ditas por personagens diametralmente opostos até onde eu sei, me motivaram. a primeira, escrita por um jornalista, resume bem o pensamento de uma grande parcela de quem acompanha a movimentação brasiliana (menos o carlos marun et caterva): "cunha é hoje um cadáver político e um presidiário adiados". lapidar. a outra, dita por ninguém menos que eduardo cunha, aponta claramente o descalabro que é a forma como os brasileiros escolhem seus representantes e o que eles fazem as esconsas pelos corredores do congresso: "hoje sou eu. amanhã, serão vocês." e reafirmou: "hoje sou eu. é o efeito orloff. vocês, amanhã". também lapidar. 


defendendo o indefensável, cunha disse que passa por um processo político. dona dilma disse e vive dizendo a mesma coisa. quem tem mais razão? disse ainda que existem 117 dos seus pares e 30 senadores que são alvo de investigações e, segundo ele, não escaparão. parafraseando um poeta baiano, só nos resta dizer: triste brasil! podre brasilha! por uma questão de justiça, devo dizer que, mesmo assim, ainda existem homens de bem que não carregam a pecha aplicada a cunha&cia. existem figuras que, apesar da proximidade do chiqueiro não chafurdam na lama. que continuem assim.



quinta-feira, abril 28, 2016

a gênese do brasileirês (o advento, segundo patinhas)

conheço bem o ex-bendengó, jornalista e homem de marketing joão santana. este é o vulgo registrado no cartório de patinhas. um sujeito calmo, metódico, de gesto bem alinhado e que já chegou a ser conhecido nas antigas redações recheadas de olivettis, remingtons e teletipos  e telexes como "tripé", "pé de mesa" e outros nem tão claros assim. mas isto é pré história.

do que esta postagem pretende falar e que envolve patinhas (tangencialmente, já que parte do crédito vai para duda "briga de galo" mendonça, outro homem de marketing que cunhou o palavrão "marqueteiro") é a gênese porque passa o linguajar português no brasil de dilma, lula, temer e cunha. pobre língua tão vilipendiada, tão ultrajada, tão estuprada por aqueles (eles mesmos) que a pretendem bela a ponto de sofrer assaltos tão avassaladores. pior é que encontram seguidores entre jornalistas.

dia desses, já faz um bom tempo, me queixei, como venho me queixando, desse palavreado tinto de vermelho petê que cunhou o verbete 'presidenta' só porque uma mulher ascendeu ao cargo máximo desta republiqueta verdamarelo. todo o brasil dos cumpanhêros e cumpanhêras vibrou e adotou a tal palavrinha como o supra sumo da 'finesse' linguística. 

acompanhando a onda, alguns neo-jornalistas, recém egressos da faculdade e recém ingressados no metiê das redações onde não mais pontuam a barulheira das máquinas de escrever nem os frenéticos estalidos dos telexes e teletipos ou a fumaceira dos hollywoods, ministers, continental sem filtro e, às vezes, só para transgredir, alguma cannabis sativa que se misturava ao tabaco, embarcaram de vez nesse negócio de encher a língua pátria (caetano veloso a quer mátria) de novos palavrões. alguns, calcados numa versão livre dos termos anglo-saxônicos que regem a tecnologia da informação; outros, apenas para seguir o modismo - quer dizer, seguindo a manada (melhor dizendo, seguindo a tropa).

Assim, carregar (um arquivo) passou a ser "upar"; apagar (um erro de digitação, uma informação incorreta) virou "deletar"; mandar uma mensagem do aplicativo mais comum é agora uma das expressões mais correntes no diálogo virtual: "te mando um zap!" e la nave va!

perplexo, me deparei, há algumas semanas, quando um repórter jogou na minha cara, quer dizer, tascou no seu texto para ser lido on-line, um "feminicídio". chocado, imaginei estar sonhando, passando por uma crise de senilidade ou então lombrado por ter fumado um baseado maior do que o usual. mas aí, me lembrei que nunca experimentei nem um "pau" sequer de um béck. me arrepiei todo mas deixei a coisa passar. vai ver que era só um espasmo qualquer do tal escriba (ele sim, deve ter fumado algum ou cheirado um pouco de orégano). 

nem bem duas semanas se passaram e lá vou eu, na minha ronda inútil pelos sites e blogs em busca de algo interessante nas notícias. daí que meus infelizes olhos se deparam com a chamada trágica: "homem mata sogra e esfaqueia ex-mulher em amaralina". a miséria humana é extremamente atrativa. muito mais quando é a dos outros. como ex-repórter policial (verdade! fui repórter de polícia um dia!), corro sedento para a notícia e eis que fico estarrecido (não com o crime, a morte agora é banal demais para estarrecer quem quer que seja!) com o fechamento da notícia: ("... o delegado fulano ficou encarregado de investigar o feminicídio"). danou-se!
com o palavrão "presidenta" patinhas fez escola. falta pouco para estabelecermos definitivamente que feminino de estudante é estudanta; que a fêmea do elefante é elefanta; que o macho da formiga é formigo e vamos por aí.

valha-me deus, nossa senhora! com essa gênese,

daqui mais um pouco chega o apocalipse!