na rua, na chuva ou na fazenda

segunda-feira, setembro 20, 2010

plataformas de lançamento eleitoral


ando meio que de olhos arregalados e ouvidos estilhaçados (a bem da verdade, estuprados, vilipendiados, seviciados e detonados) pelo que vejo e ouço na propaganda político-eleitoral gratuita (e paga por nós) no rádio, na tv e nos outdoors e nos carros-bomba que passeiam no trânsito alardeando as qualidades (cruzes!) dos candidatos a mamar nas têtas da viúva. nada republicanos, invadem nossa praia numa cacofonia de dar dó a qualquer um.

no entanto, o que mais me surpreende e me deixa meio zurupenga é a desfaçatez com que alguns se arvoram a defensores dos frascos e dos comprimidos, robin hood dos otários (dá-lhe, jorge ben jor!) todos querem acabar com a corrupção, desde que isto não implique em suicídio. todos querem aumentar o salário mínimo, nem que seja apenas dez reais a mais. todos querem educação para todos, desde que educação signifique aprender a dizer "sim, dotô!" é! "dotô" mesmo. porque, depois de eleitos, mesmo analfabetos de pai, mãe e pneumonia, a liturgia do cargo lhes sobrepõe um doutorado a que eles se apegam como sanguessugas em gado magro e canela de sertanejo em lagoa nordestina. são todos dotôres.

mas o que mais me deixa feliz é ver a variedade dessa fauna que disputa o cerrado lá de brasilha ou outros cerrados menos pomposos em seus estados. alguns saem dessa cornucópia travestidos (calma, leocréti!) de tudo que é coisa. leocréti, por exemplo, uma coisa híbrida que eu não sei dizer se vereador ou se vereadora tem, como mote final do seu projeto político um gritinho impossível de se traduzir para o texto. mas, experimente seguir esta receita: esganice bem a voz, como tetê espíndola em "escrito nas estrelas" e grite "aiii!" se fez isso direitinho, chegou bem perto do que leocréti pretende fazer na assembléia legislativa da bahia.

aaah! mas não somente êla, créti, não! tem bira do jegue, eterno revoltado e vestido de charlie chaplin, tem (lá, em sampa) tiririca que ameaça entrar no guiness book of records como o palhaço mais bem votado do mundo - este, pelo menos é sincero: já disse que não sabe o que vai fazer lá e quer mesmo é ajudar a família. coisa que luizignatiusprimeiroeduploagoracomdilma, nunca disse. ele tem esse negócio de total ausência de sinceridade. a não ser que esteja "tomado". aí ele manda gente "à porra" (perdão); diz que "se a imprensa descobre esta merda..." (no caso da piscina pública onde o povo não podia entrar, no ridijanêro) enfim... aí ele fala certas verdades. voltando pra terrinha e pros candidatos e suas plataformas de lançamento para grandes vôos, temos ainda um fulano lá da rifa, um outro lá chamado jean nanico, agora um outro que diz que se candidata para defender "os concursos e os concurseiros" (concurseiros deve ser uma nova profissão ainda não regulamentada e sem direito ao mínimo de salário, não é?) e outros tantos mais exóticos ainda.

agora, bonito de se ver é a pose felina, femme fatale, tigresa, mata-hari, marlene dietrichiana de patrícia nuno. delegada da polícia civil baiana, tida como das mais atuantes como aquela criatura de um seriado (antigo) de tv, ela é dona de faiscantes cabelos loiros (?) curvas curvilíneas, olhar 43 do rpm e... bem... não sei... quer dizer... ela quer mesmo o quê com aquela pose dos cartazes? ser candidata à capa da playboy de outubro?

abaixo, uma carta que recebí via e-mail (ainda vão acabar com os correios e aí o filho de erenice guerra vai viver do quê?)de um grande amigo, que gostaria agora de compartilhar, tanto a carta quanto o amigo, com você (em tempo: o texto não sofreu nenhuma alteração. me utilizei da mais recente ferramenta acadêmica que grassa nas escolas e universidades brasileiras: ctrl+c e ctrl+v)


Brasília, sáb 18set/2010

O dia amanheceu com o horizonte turvo, o ar seco fumacento, visibilidade ruim e um cheirão de mato queimado invadindo as narinas congestionadas. Calor de forno, olhos ressecados e lábios rachando. Uma quase primavera árida, há quatro meses não pinga chuva. O planalto parece fogueira.
Brasília em brasa.
O centro do poder se move por influências, interesses e propinas. Grana e cargos no balcão. Gabinetes blindados pelo luxo e batalhões de servidores refrigerados. Tem crachá, qualé a senha? Gravata, saltos altos, boa recomendação e carimbos.
A burocracia processa os trâmites.
Nada é certo ou previsível, muito menos a Justiça. Cega, surda e imunda. Tudo depende dos arreglos. Assim se faz a política pelaqui e acolá, assim acontecem as decisões da república.
As ideologias partidárias servem apenas para justificar as ações, nem sempre republicanas. O povo não passa de uma peça no tabuleiro eleitoreiro. Manipulável e essencial no contexto.
Assim funciona ‘o sistema’ (aquele que a cada novo escândalo ‘está fora do ar’).
Degraus abaixo... o hospital público não tem raio x, o buzu matraca e o crack degrada.
‘Só Jesus salva!’, bradam os pastores nos templos, negociando o voto dos fiéis.
Entrementes...
Lula paira sobre a nação. Nada o assombra. O ‘grande líder’ dita o ritmo com palavras toscas. Tem o gosto da massa rude.
O IBGE alerta: somos um país de ignorantes. Que importa?
Bater um prato de feijão com farinha diante da tela emburrecedora da TV já nos sacia.
Na propaganda dela... esse nosso Brasil tá lindo de se ver.
Quem é Dilma? É a mãe!
13 nela. E amém.
Sou um ser só.

Um comentário:

  1. Muito Bom! Ops, Léocreti ao mnos vtou a favo da CEI(Comissão Eleitoral de Inquérito) que inevstigará amáfia da Transacon.... Vale lembrar disso, mesm que aos gritinhos.


    Muitooo bom!

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