na rua, na chuva ou na fazenda

terça-feira, março 28, 2006

ésopo adaptado a brasilha - e o pombo matou o gavião

amanhecí pensativo. um fato corriqueiro na natureza mas insólito quando visto numa grande cidade cujas árvores tem troncos de cimento e flores de parabólico alumínio me fez ficar assim pensativo. sorumbático. um gavião caçou um pombo e fez dele a piéce de resisténce de seu almoço servido no anteparo do ar-condicionado do oitavo andar da árvore/edifício em que trabalho e não fico rico (parafraseando as paralelas de belchior). desse presumido lauto almoço que pode muito bem ter sido um jantar ou mesmo café da manhã, sobraram penas, intestinos, duas tristes patinhas a acenarem ao vento um adeus à vida e, pasmem! crueldade das crueldades: a cabeça do pombo com olhos poética e tragicamente entreabertos olhando pros meus olhos curiosos. olhos que devem guardar na memória da morte o riso cruel do seu algoz de bico escancarado a comer-lhe as carnes e ignorar-lhe as entranhas (até nisso sobra o nojo visceral). o gavião matou o pombo. e daí? na natureza isto é o trivial. de novo: isto me deixou pensativo.
em "brasilha", o pombo matou o gavião. não é a primeira vez. aliás, é sim, a primeira vez. porque, da outra, o pombo feriu de morte mas não matou. os urubus o fizeram. com a galhardia dos urubus que, por sinal, não gostam de matar. preferem os já mortos. não dão tanto trabalho e já vem condimentados pela putrefação. pois bem, no caso de brasilha, o pombo não tinha asas, penas ou quaisquer outros adereços inerentes às columbinas. a única coisa em comum, era a inocência (presumida) de ambos. o pombo lá de brasilha era, até prova em contrário, um pombo limpo (digo isto porque no idioma policialês pombo sujo equivale sempre a pobre - independente da cor - e significa vagabundo) e trabalhava como caseiro do ninho do gavião. era, portanto, um pombo até certo ponto, temerário. já imaginou? pombo trabalhando pra gavião? nem o bíblico daniel teria essa coragem toda! pois bem. esse pombo limpo detonou um dos maiores gaviões da floresta de brasilha e pôs em risco o gavião-rei de penacho grisalho que quase lhe cobre o bico. a bem da verdade, o que causou surpresa em mim e frisson nas ilhotas que cercam brasilha é que vários outros gaviões menores já haviam sido derrubados em pleno vôo - mas por outros gaviões - jamais por um pombo. e olhe que teve um que não era nem tão menor assim. era do tamanho ou talvez menor do que este de quem eu tento contar a desdita e, ao mesmo tempo, fazer elegia ao pombo. ninguém jamais havia visto algo assim como suponho ter dito antes. como o pombo conseguiu derrubar tamanho gavião? aí é que vem o melhor.
o gavião, de quem eu falo - ou melhor, escrevo - como os outros gaviões que estrelam os céus daquele lugar, vinha de outras plagas, de outros ribeirões e era - assim o parecia - experiente. tinha manhas. mas, como todos os outros que trocaram suas florestas natais pela exuberância brasilhense, não esquecera suas origens e, mesmo mais cauteloso que os outros, não abandonou certos salutares hábitos, alguns prazeres que de tão prazeirosos, eram inomináveis. não vem ao caso. pelo menos, não agora. em bandos, costumavam pousar num ninho coletivo para farras homéricas e ali, em meio aos eflúvios etílicos que sempre acompanhavam essas reuniões, decidiam os destinos de toda a passarinhada e ainda por cima, embolsavam algum.
apesar da dêbacle de muitos importantes membros dessa confraria rapinal, esse nosso gavião resistia impávido a todas as tsunamis avassaladoras que passaram por e sobre brasilha. até o pombo dessa conversa resolver abrir o bico. e como abriu. e do seu bico saiu o tiro mortal que abateu o nosso gavião. mas, antes disso...minto, quando o pombo começou a arrulhar arrepiaram-se todas as penas das cabeças coroadas da rapinagem sobrevivente e todos eles assestaram suas garras e bicos ferozes em direção ao indigitado pombo arrulhador. até mesmo os gaviões togados (esses não se metiam - ao que se sabe mas não se confirma - em bandalheiras de esquinas) tentaram calar o bico do tal do pombo. chegaram a silenciá-lo com uma mordaça legal mas, o mal estava feito. os arrulhos chegaram aos ouvidos das corujas que espreitam na calada da noite e repercutiram pelos bicos dos papagaios faladores que também costumam habitar altos galhos de brasilha. os gaviões togados sabiamente se retraíram um pouco em sua pompa e circunstância enquanto os outros, já auxiliados por gaviões menores esquadrinhavam todos os cantos e recantos da vidinha caseira do pombo caseiro do gavião ferido e agonizante. descobriram que ele nascera de ninho bastardo, de ovo não reconhecido, que estocara trinta mil milhos e por aí afora.
apesar de todos os esforços, o tiro impulsionado pelos arrulhos do pombo revelou-se mortal e o grande gavião morreu. numa conversa com amigos de pombal e alguns papagaios que acabaram tornando-se co-algozes do grande gavião, o pombo arrulhara antes que arrulharia até a morte. agora, em nova conversa, já carpindo o defuntado, o pombo arrulha: "ficou provado que o lado mais fraco não é o lado de um simples caseiro. o lado mais fraco é o lado da mentira".
contei toda essa embromação acima só para dizer o por quê de ter ficado pensativo ao descobrir um pombo estraçalhado por um gavião no anteparo do ar-condicionado do prédio em que trabalho: que mundo é este, em que simples caseiros derrubam ministros e põem de pernas bambas e orelhas em pé ilustríssimas e altíssimas figuras de um país? claro, como escreví antes, houve um outro caso, de um outro pombo, nesse caso, motorista e não caseiro, que alvejou profundamente um outro figuraço e detonou todo um processo que culminou com sua queda. precisamos, urgentemente, eleger alguns oficiais de limpeza de aeroportos que não se incomodam de devolver aos seus legítimos donos alguns milhares de dólares encontrados em banheiros; precisamos encontrar algumas centenas de francenildos caseiros, outros tantos egbertos motoristas e assim, darmos uma faxinada geral nesse lugar. se bem que temos uma outra alternativa: se nos sentirmos um tanto quanto inseguros podemos correr pra casa e demitir a faxineira, o zelador, o lavador de carro por que, senão o bicho pode pegar.

segunda-feira, março 27, 2006

rhyno's dancing (de como o congresso enlameia até quem não é porco)

preconceitos à parte, algo em mim se partiu ao ver uma certa gorducha estrebuchando uma dança estranha no picadeiro da câmara dos deputados lá em 'brasilha'. sem quê nem pra quê, me peguei estupefacto fazendo mil e uma conjecturas: seria a dança da chuva? ou a dança da fertilidade? ou do acasalamento? ou a dança da dança? que diabos dançava ela? pensei até numa reencarnação ou renascimento, por assim dizer, da carla perez alguns xandis mais velha: a pança enorme, os oxigenados cabelos mais curtos, a bunda algumas (várias) vezes maior. com tudo em cima: a queixada em cima dos peitos, os peitos em cima da barriga e a barriga em cima de...bem, deixemos pra lá estes exercícios anatômico-imaginativos e ponhamo-nos a rever (muito embora seja extremo sacrifício) a cena escatológica: vestida numa roupa condizente com a sua performance, a nobilíssima deputada/dançarina festejava. o que ela festejava, em verdade, em verdade vos digo, ignaros e raros frequentadores desta página/telinha, era o nosso vilipêndio moral perpetrado por aqueles em quem depositamos incontáveis votinhos que os levaram aos píncaros da glória da imoralidade. e o sorriso dela? camarada? que sorrisão tratado a laser e o caceteaquatro bem distante da realidade banguela dessa gente que, enganada a telhas, dentaduras mal feitas em protético de esquina e camisas padrão de time espanhol com direito a nome de ronaldinho estampado nas costas entregou em urnas eletrônicas os votos necessários à perpetuação da bandalheira escancarada que assola 'brasilha' essa moça ostentava enquanto dançava! e o brilho de felicidade dos olhos dela?! só ví tanta felicidade junta numa cara só quando o sarney, fazendo de conta que não era com ele, pespegou-se a faixa presidencial pela defuncção de tancredo neves. ninguém viu porque aquele bigodão, tipo pára-choque de carreta, escondia. mas eu pressentia através do meu desconfiômetro de risadas largas escondidas atrás de bigodes vastos. e a desinfeliz da deputada nem bigode tem. e, se o tem, raspou para a apresentação. e o pior é que depois da sioux, ianomami, cinta larga ou sejaláquediabofor acabou, ela, candidamente explicou que comemorava a vitória da justiça! justiiiiiçaaaa! que justiça?... da moralidade. que moralidade, cara pálida?! aquela que livra a cara do escroto (no bom sentido - se é que há algum bom sentido nisto) e joga o inocente na cadeia?
talvez a gorducha esteja certa. afinal, tem aquela menina escrotíssima que entrou no mercado e roubou um negocim lá pro filhin dela distrair as idéias do estômago colado na espinha. por uma questão de justiça, a polícia agiu rápido, ela foi presa, o pacote de biscoitos meio aberto, não foi devolvido porque era a prova cabal do crime e ela foi pra cadeia. saiu semana passada. também, quem manda roubar biscoito?! tem que roubar é do povo! roubar a consciência, o direito, a honra, a vergonha... tem mais é que receber propina, falsificar documentos e acabar com a amazônia, com a mata atlântica, escravizar nordestinos que teimam em fazer a vida (em todos os sentidos) no sul maravilha e acabam em fazendas cujos donos tem endereços funcionais em 'brasilha' (tou me cansando dessa cidade!) porque isto não é crime, não é amoral. a bem da verdade, dá até um certo charme entrar num restaurante, andar numa avenida movimentada e ser reconhecido com reconhecida inveja: "aquele ali, aquela ali é fulana de tal, parlamentar. meteu a mão aí, por baixo, nuns cinco milhão!" certo charme porra nenhuma! dá mesmo é orgulho!
então por que a gorduchinha (e que me perdoem os gordinhos, desde lá de cima do começo desse negócio) não teria o direito de comemorar uma sacanagenzinha com o povo brasileiro? idiota foi o caseiro. de tão besta que é resolveu dizer o que disse do chefe e aí juntou um exército de defensores da moral, arapongas, araras, tucanos, macacos-prego, enfim toda a fauna brasilhense se transformou numa legião de combatentes da moral e dos bons costumes perpetrados naquelas bandas 'prassalto central (quero dizer planalto central) e mostraram que ele, sim. ele, é o verdadeiro bandido. como ousa mostrar as entranhas da moralidade dessa forma? como se atreve a apontar com seu dedo bastardo as esquinas (dá-lhe jeanny corner!) do poder que de tão puro, fede? pois então francenildo (pobre até de nome! teve de juntar dois pra se tornar um), dane-se na sua humilhante pobreza e na sua indigna necessidade de ser honesto e assim, tentar, em nome de milhões, resgatar a dignidade de um (país)! falta de aviso não foi. fica lá com os 30 mil reais que teu pai - que também te renega - te fez o favor de botar na conta poupança que tens e pede desculpas: perdoa-me pailocci, pois pequei! e depois corre pra casa dos teus amigos onde te escondes e vai assistir à vitoriosa gorduchinha na performance 'global rhyno's dancing'.

quarta-feira, março 15, 2006

desculpe, joão ubaldo, mas viva o povo brasileiro!

é, mestre joão, tenho mesmo que pedir, implorar, suplicar desculpas pela apropriação indevida do seu título mas, não se considere desapropriado e muito menos, vilipendiado por este idiota aqui. é que as coisas aqui do lado de baixo do equador me entusiasmam, me surpreendem tanto que não tenho outro jeito senão bradar - para seu desespero -: "viva o povo brasileiro!"
mestre joão, eu já ví o lulaládasilva conversando (?) com a rainha da inglaterra; com reis africanos (será que andou em busca de raízes pra feitiço de reeleição?) várias incontáveis vezes. também já ví o mesmo lulinhalápazeamordasilva desconversando das coisas mensalônicas urdidas por seu primeiro melhor amigo ministro zé dirceu -pobre marília (ou melhor, brasília)! - e tchurma. já ví o operário deficiente físico (falta-lhe um dedo) que se descobriu presidente por força de termos fechado os olhos (à época, achávamos que os abríramos) e, consequentemente poderoso, se perguntar perplexo, se filho de presidente não podia se tornar milionário e negar veementemente que não sabia das transas (no bom sentido) do filho lá da silva com uma empresa enorme de telefonia. maravilhosa e sábia inocência!
também ví o nosso querido diadêmico lulinha paz e amor se aprochegar de um certo imbecil com ares napoleônicos que quer se tornar vitalício como el presidente de algum lugar aqui perto. chávez neles! ví muita coisa, mestre joão! mas, o que mais me deixou feliz, entusiasmado, abilolado de tanta admiração não foi nada disto não.
não foi o perdão dado pelos parlamentares aos parlamentares depois de um bocado de teatro; não foi a venezuela ir parar no sambódromo do rio de janeiro que depois foi ocupado pelo exército roubado em gloriosos fuzis e pistolas por nada heróicos guerrilheiros urbanos do pó carioca, nada disso. me deixou meditabundo de tanta felicidade a pose olímpica de duda 'não basta ser remédio, tem que ser gelol' mendonça, apoiado pelos seus brilhantes advogados, decidir que a forma como ele amealhou seus milhões -alguns muito direitinho e outros, nem tanto - não é da conta de ninguém. maravilhoso! divino duda 'não basta ser pai, tem que participar' mendonça quase me leva à apoplexia. que homem é esse, que com uma simples frase derrotou aqueles monstros da legalidade do congresso nacional? que herói é esse que, diante da empáfia e da soberbia daqueles poderosos defensores da honestidade brasiliana (mensalões, propinodutos e caixas dois, três e quatro nunca os macularam), não titubeou. não tremeu. não se deixou abater. derrotou-os, mansamente: "vossa excelência, sinto muito, não vou responder ". e todos calaram. dá-lhe duda! não basta ser pai - do lula, do dirceu, do delúbio e etc -, tem que participar!

terça-feira, fevereiro 28, 2006

carnaval da bahia - tudo de bom!

ói nóis aqui de novo! estou amando de paixão essa insanidade chamada carnaval. tomaram de assalto a praça do campo grande, a praça castro alves, confinaram as estátuas e os pombos, confinaram as flores, puseram os pardais de quarentena - na verdade eles se picaram porque pardal não é que nem pombo que é besta e fica voando à toa tentando entender as barbaridades que esse barulhão quer dizer - e, surpreeeeesa! desapareceram com os mendigos e inauguraram a era dos sem-teto-por-causa-da-festa-e-da-cachaça. se bem que cachaça agora tem outros nomes: birinaites, roska, capeta e por aí a fora.
tou mesmo amando o carnaval onde ivete sangalo mostra as pernas e exibe o enésimo candidato a namorado sob juras de amor eterno (interno, não seria melhor?). se bem que, depois de dois beijos públicos, ela descarta o indigitado numa rapidez de banda nova de axé, que deus me livre! aliás, tudo que eu menos gostaria na vida era ganhar um beijabraço de ivete. não que a idéia não seja estimulante. o problema é que ex de ivete é a mesma coisa de ser porta voz de lula: fica marcado pro resto da vida e nunca mais pode ser ele mesmo. é transitório. vixe mainha! (quer dizer, vixe, maria! axé music é mesmo de matar e pega que nem a gripe do frango.) nunca ví, ou melhor, nunca ouví tanta baboseira como no carnaval. e por isto mesmo, amo cada vez mais, esta folia.
carnaval é o de salvador. aquele negócio pasteurizado do ridjaneiro com aquelas mulheres ou nuas de mais ou vestidas de sobra desfilando ao ritmo torturante de uma música cuja letra é feita de acordo com o patrocinador de plantão - este ano teve até elegia a hugo tchávez! - não chega aos pés da folia baiana: aqui, cada canto tem seu próprio ritmo. o amor - leia-se o sexo - ama nos bares, becos, sombras de árvores, sob viadutos, na grama, na lama, enfim. a putaria (que me perdoem as moças pertencentes à categoria à qual o substantivo/adjetivado se remete pertencem) rola federalmente - nenhuma ligação com o planalto central onde existe um negócio chamado congresso. e é preto com branco, homem com homem, mulher com mulher e vamos lá.
amo os cheiros do carnaval. desde a alfazema dos filhos de gandhi ao cheiro de mijo e merda que a cidade adquire pra ficar parecida com paris. e não adiantam os esforços suarentos dos garis com aquelas fálicas mangueiras - hoje estou terrível - despejando água perfumada sobre os dejetos carnavalescos. alías, adianta sim. acrescenta um fedor inigualável aos ares da cidade. tente ler, com o nariz, esta descrição. mijo, merda, perfume, bodum...tudo junto! que maravilha! dá até pra cantar aquela musiquinha de jorge ben quando ainda não havia se tornado outra pessoa "ela vem toda de branco, toda molhada e despenteada que maravilha ela é o meu amor". e, no meio desses cheiros todos, que se fazem um só, homens e mulheres rolam, se agarram, se beijam, trocam fluidos por cima por baixo (e aqui vale uma observação: se as peças iniciais do sexo - ou amor, como queiram - ficam no meio do corpo, por que essa mania de dizer embaixo?). A cornucópia de prazeres tem um fundo musical de zilhões decibéis (não tem um tímpano virgem nesta cidade!) e claro, essa cortina sensorial nos nossos narizes (engraçado como no carnaval os urubus desaparecem).
por isto, amo o carnaval. amo de paixão. só quem não concorda muito comigo é meu corpo. meu nariz, coitado já nem sequer se cheira mais. minha cabeça dói horrores; minhas pernas já me deram um ultimato: ou eu paro ou elas se recusam a andar o pior deles nessas rebeldias contra esse meu amor pelo carnaval, são meus pés. recalcitrantes, incompreensivos e acima de tudo intolerantes, já não aceitam carinhos, afagos nem nada. De tanto doerem me fizeram parar. aaaah! eu adoro o carnaval.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

olê, mulè rendêra, olê, mulé redá... -no bom sentido -

hojeutôretadopacopiar! acabei de ler uma frase daquela mulé - no bom sentido - heloísa helena. retada de boa - no caso a frase, e no bom sentido -: "o poder não muda as pessoas, apenas as revela". êta baianidade que me corrompe o latim - no bom sentido! - e me faz nordestaneiar cada vez mais! êilá! além de -se não for por sangue, descendência ou coisa que o valha, no mínimo é por nordestineidade, alagoineidade ou coisa que o valha. mas é bom. retado de bom. melhor que macaxêra manhãcedo. mas deixa uma pergunta varrumando o côco: revela o quê? é bom ou é rúim? táquiopariu (tô ficando craque nesse termo)! fica difícil saber. tentemos descobrir (ou revelar) o que a singela frase da heloísa nos quer dizer.
opção 1 - se você (ou eu) podemos adentrar ao supermercado pela porta da frente e por ela sair, temos "poder"...de compra. podemos então, comer esse nosso poder. classifiquemo-nos então: consumidores, com certo "poder".
opção 2 - se, a cada final de ano, compramos e compramos e compramos. presentes pra mãe, pros filhos - se os podemos tê-los ( e olhe que no plural, já é exagero) - temos um "poder" diferente: temos p o d e r. classifiquemo-nos, de novo: consumidores com "algum poder".
opção três: se, além de (1) entrar e sair pela porta dianteira do supermercado; (2) comprar desnecessariamente, presentes de natal, comemorar halloween ou outras imbelicidades mis, podemos ainda ter (a) carro próprio - ainda que um lada russo antediluviano - (b) morar em barraco próprio (não vale barracão de lona de um 'ms' qualquer) (c) gatear a sky ou a net ou mesmo só ver novela e big brother...táqueopariu! tornamo-nos classe média!
bom, tentar a sorte de crescer um pouquinho mais a partir daqui, é meio phoda, convenhamos. e é aí que entra 'héló', ou 'isa' ou 'lena' ou 'leninha' ou seja lá como os seus nordestinos -como eu - parentes a chamem e a sua frasesinha linda. o poder não muda as pessoas, apenas as revela. beleza de creuza, comadre! pago pra ver se eu não mudo se sapecar na cabeça da pule um milhar do primeiro ao quinto valendo dez conto! troco de buteco, troco de peixeiro, não compro mais na caderneta nem peço emprestado a vizinho! e isso é só pra começar!
vai piorar - ou melhor, mudar - mais ainda, se eu tascar uma mega-sena acumulada por cinco meses e botar um bucadodemilhão na conta que o cara do banco do brasil vive doido pra encerrar por falta de fundo pra se segurar - ah, se não fosse o salário de todo o mês! - metia bronca: era carro novo, escola particular pros muleques que já fizeram muleques, em vez de 51, era uísque. em vez de mocotó...uns camarãozinho metido a besta (que nem os que lula e a digníssima fizeram os caras do cerimonia correrem atrás em tempo de defeso: "sete barba!"). botava pra lá! mesmo! juro!
mas héló tá certa: o poder não muda as pessoas. apenas as revela. como eu me revelaria, como você se revelaria. como padre pinto se revelou e se desrevelou. como a opus dei não se revela - e olhe que sou católico, dom geraldo! - como nós todos nos revelaremos um dia. vai do gosto. biblicamente: tu és pó e ao pó retornarás. roqueiramente, à la david bowie - ou padre pinto sem inspiração afro-brasileira no momento - : ashes to ashes.
nos revelamos na nossa mudança. depende do montante de grana. que entre ou que saia. pra uns a cadeia. pra outros, bom...

pior fome é boca pura

"Um dia vieram e levaram meu
vizinho que era judeu. Como não
sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era
comunista. Como não sou
comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram
meu vizinho católico. Como não sou
católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me
levaram; já não havia mais
ninguém para reclamar..."
Martin Niemoller, 1933
hoje acordei...como se diz na moda, revendo todos os meus conceitos. me revendo. aí, é que deu! comecei por um conceito emitido pelo mais filósofo dos filósofos que eu conheço: chico, ou melhor, chiquinho motorista lá da repartição onde trabalhamos. "pior fome é de boca vazia". dá-lhe, chico! profundíssimo. claro! de barriga vazia a gente não pensa, não analisa, não faz boas escolhas...o que vier é troco. verdade. de barriga vazia a gente até come feijão dormido de seis dias atrás e já com aquele cheirinho que até cachorro rejeita. vamos então, desconstruir - palavra nova no pedaço! (pelo menos para mim) - esse conceito chiquiniano.
foi por causa dele, do conceito, não de chico, que eu, de barriga vazia de democracia verdadeira, com fome de um presidente do povo e escolhido (mesmo!) pelo povo e com cara de povo, tasquei um voto grandioso e sonhador num apelido de quatro letras e mil toneladas de esperanças. esquecí-me, por conta daquela fome, de que por trás do apelidozinho carinhoso, tão pequeno quanto fácil de falar, até mais fácil do ter que dizer fêagácê - pouca gente sabia o que era aquilo - , dizer "lula" soava como chocolate branco derretendo na boca; levava jeito de...ahnnn...vamos exagerar...beijo de amor. daqueles bem novelescos. imbuído - ê aurélio, morre de inveja! - sapequei-lhe meu voto lulístico e aí eu digo do que esqueci. esqueci que por trás daquele tal apelidozinho carinhoso havia a sua matriz pomposa: luiz ignácio lula da silva. o apelido tinha virado nome do meio. táqueopariu! a fome de barriga vazia de um presidente que falasse a minha língua e entendesse as minhas necessidades escondeu a possibilidade daquele ente imperial "luiz ignácio lula da silva" aflorasse do "lula" zépovinho como eu e o subjugasse. foi aí que me ferrei. ria, não besta. cê também se ferrou. sem nunca o ter sido, agarrei bandeiras petistas e as brandí em meio ao populacho ensandecido. festejei a vitória brasileiramente.
e agora? bom, aos poucos o operário se deixou convencer pelo imperador que o melhor era trocar de avião, mudar a decoração da casinha lá de brasília, derrubar uma estrela do céu e plantá-la no jardim da granja, bem vermelha. e o pior é que seus ajudantes o incitavam mais e mais a se deixar imperializar.
o seu richelieu, acostumado a brigas de galo, o fez provar do mais puro néctar do olimpo: um romaneé conti - é assim que se escreve? - de mais de sete contos de réis - coisa impensável prum operário criado a 51. ensinou-lhe também que viajar faz um bem danado e, tome-lhe viagens. o que ele deve ter de calo na bunda de tanto viajar não em nenhuma mão de operário que se preze. mas ele é o imperador.
e como imperador, se deu ao luxo de avacalhar minha fome de um presidente presidente.
tem nada não. amanhã, dizia o poeta, há de ser outro dia. e aí quem vai ignorá-lo imperial, solene e olimpicamente, serei eu. daqui de baixo, da poeira do meu chão de zépovinho que deixou de acreditar em sonhos, operários, papai noel e saci-pererê (pra ser mais brasileiro e menos aculturado). vou votar na opus dei (pelo menos acredita em virgindade, silícios, suplícios e coisa e tal) e, isso eu garanto, não passa fome nem que a vaca tussa! nem fome de comida, nem fome de poder - porque já o tem em excesso - ou mesmo de renovar esperanças.
a melhor fome é pensar nela como algo que não existe.
e não me enganem de novo com apelidos porque gato escaldado de água quente tem medo até de desenho de torneira .
e viva o mst que não explora petróleo mas ganhou verba da petrobrás. salve duda mendonça que soube ganhar o dele - que ninguém é besta - só repetindo "não basta ser pai, tem que participar" não basta ser remédio, tem que ser gelol" "não basta ser ótica, tem que ser ernesto". maluf que fez! umm um

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Entre a Lula e o Pinto...o bicho pegapontocom

é sério! a despeito de todas as tentativas do grande ratzinger - que nome prum papa! - de moralizar a veneranda e secular católica e apostólica romana igreja, tem gente, do seu próprio seio (da igreja, não do ratzinger -nomezinho infame!) doido pra esculhambar. mas a seriedade do rrrrr...não escrevo mais esse nome, é edificante. sob algum ponto de vista (não o meu, claro!). paremos por aqui e voltemos à razão do título: vivo num brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro (o que isso quer dizer, o diabo -valha-me deus!- sabe!) que elegeu um operário (valha-me são lech walesa!) presidente e uma manicure, primeira dama. nada a censurar por que o "céu nasceu para todos" inclusive este aqui abaixo da linha do equador. o problema "são os outros". o meu presidente, eleito num feito raro aqui por baixo dos trópicos, democraticamente, reelegeu-se em si um deus grego. esqueceu-se, olímpicamente, de ser presidente duma republiqueta com ares de potência cósmica "abaixo bush?!" e ignora, solenemente, suas próprias responsabilidades para com os irresponsáveis que o puseram no trono de zeus tropicalista (desculpas, caetano e turma). táqueopariu! nunca vi tamanha insensatez - dá-lhe tom jobim!- nem tampouco tamanha resistência a um visquizinho à cowboy - reencarna, vinicius! - numa pessoa só.
tudo bem. vamo parar de falar mal do moço. afinal, dizia minha vó: gato que nunca foi à bahia, come acarajé da cira, e acaba se lambuzando de azeite. simbora, nóis! o príncipe, quer dizer, o deus, quer dizer, o presidente - que coisa!- se esqueceu de tanta coisa que eu nem sei mais do que é que ele se lembra mesmo -ô, chefe! não se esqueça de que ainda é p r e s i d e n t e! pelamordedeus!-. se é do dirceu, pum! esqueceu! do valério, nem nunca viu; delúbio? quem será esse?! mensalão??? é aquele riacho lá de pernambuco véi de guerra? tá. tá bom que a gente que faz umas 'mão de gole' vez em quando sofre de uma degeneração que os médicos com aquela empolação - leia-se embromação - hipocratiana definem como amnésia (valei-me, minha ex-sogra!) etílica temporária ou, ainda melhor, os loucos denominados psiquiatras ou psicólogos ou seguidores de freud, jung e outros tantos também costumem analisar, quando sóbrios, como memória seletiva. tradução de beira de balcão: faz de conta que não lembra pra não se comprometer - já imaginou acordar do lado de um dragão que gravou tua voz dizendo, eu te amo, meu amor? merda pura! - e, se for assim, o barbudo lá de brasília/garanhuns/abc/pernambuco, meu pai!, é mestre! mesmo! tá bom. já falei que não falaria mais dele. não falo mais. desde que ele não vá mais pro fantástico tentar enrolar pedro bial como enrolou a mim que sou inocente, puro e besta. não vá mais! mas ele vai. vai por que quem mente e gosta, mente duas vezes. ou se esquece que mentiu. TÁ BOM!!! NÃO FALO MAIS!!!
bom. fui obrigado a falar em maiúsculas só pro seu prazer. o rrrrr - jurei, lá em cima, não escrever mais o nome - papa, tá querendo acabar com o limbo. danou-se o mundo e eu não me chamo raimundo! ondéquele vai botar todo esse povo que mudou-se da vida sem os sacramentos (não valem cláudio, joão ou maria do socorro sacramento pois são meus amigos)? na capela sistina? em riba de joãozinho beleza pura? aaah! tá! só por isso, um padre artista, aqui da velha bahia, terra onde ninguém nasce, estréia nizaneamente, um tal de padre pinto de cara pintada como ney matogrosso nos tempos de secos&molhados só que anos-luz mais velho e mais...bem deixa pra lá, deu a louca por conta de uma granazinha mixuruca pra botar o bloco dele na rua. bloco, não. terno de reis. e se vestiu de pomba-gira, de oxum, sei lá mais do que e rodou a baiana! (coitada da dinha do acarajé!) com a cara da líciafábio -ô mulé feia!- esperneou no altar: eu quero morrer aquiiiiiiii!
te esconjuro!
apesar de tudo, entre o pinto e o lula, sou mais o pinto. pelo menos saiu do armário de vez e trancou tudo com cadeado.

sexta-feira, julho 22, 2005

será que ele é?

o dia até que amanheceu bonito. chuvoso. e um mar encrespado lá pras bandas da república livre de itapuã. mas, apesar da chuva, os pássaros voavam encharcados e alguns outros até cantavam. no meu quintal, urôi, um akita vistoso, latia pro nada. era mesmo um dia itapuanzeiro. no rádio, os locutores falavam bobagens a respeito de malas voadoras (me surgiu na imaginação uma mala louis vuitton -é assim que se escreve?- saindo da esteira rolante de entrega da daslu e alçando vôo com asinhas magnificamente angelicais) estofadas de dinheiro - reais, não dólares - na tevê, os apresentadores falavam as mesmas bobagens com uma ênfase diferente e personagens novos. agora, pelo menos na telinha, não eram somente malas, mas também, cuecas. cuecas?! ora, ora! o grande barato da cueca não era esconder o pintinho da zorba? fiquei um tanto quanto embasbacado. estava mesmo sendo um grande dia! pelo menos, a cueca, não sei se "p" "pp" "g" ou "gg" carregava uma grana boa - em dólares! - e aí ficou a grande pergunta: o portador da cueca se desfez do acessório teóricamente masculinizante? ou o troço era tão mirrado que não deu nenhum problema? o fato é que com uma cueca dessas eu me sentiria muito mais feliz embora o meu mui prezado e caro cabo jorge fosse até se sentir incomodado pela redução da sua provável mobilidade.
voltemos ao dia. estava mesmo um dia bonito. parou de chover, a temperatura ligeiramente baixa, os pássaros já cantando com algum tesão enfim, um dia típico de inverno baiano. festivo até. e os caras do rádio, em meio às bravatas grandiloquentes de campeões de audiência (todos o são ou assim se dizem) continuavam bobagens. agora de um tal do mensalão. acabei descobrindo que se tratava de uma mesada razoável para deputados, senadores e outros membros mais votados da cópula - perdão, cúpula - governamental parlamentarem a favor de uns outros e aqueloutros. trinta paus! só? tudo bem que judas vendeu jc por trinta dinheiros e ele, jc, valia e vale muito mais que trinta brasis, trinta repúblicas ou trinta sejaláoquê. jc é jc! mas, aqui pra nós, coligado, vender a moral, a ética, a história que, querendo ou não, vamos construindo para este país por solamente trinta paus/mês e posar de paladinos delas é dose pra leão. tudo bem, de novo, que os trintinha sempre vinham acompanhados de umas semanadas de cenzinhos, quinhentinhos, land rovers e otras cositas mas, mesmo assim...
flash back pro dia que de melhorzinho que ia ficou bom demais da conta. dona edna roma, a comandante lá de casa, tentou até fazer uma vaca atolada, mas atolou-se baianamente nos temperos; aí o akita pintado de cinza e preto parou de latir e os caras da tevê continuaram a rodada de besteiras: falaram do dilúvio provocado pelas não-declarações (já existe isso, é?) de um tal delúbio (êita nome feio!) soares parceiro de um tal marco valério que, por sua vez andou mancomunado com um indigitado sílvio pereira que também tinha relacionamento com josé dirceu que (ô cirandinha maldita!) que infelizmente era "assim assim" com o presidente lula.
será que ele também é?

terça-feira, julho 12, 2005

dizei-me que o dízimo é genuíno e bom que eu gosto. por isso, também quero o meu

deus me perdoe, desde já por duas coisas: a primeira - e aí, ao digitar, vou continuar pecando - por escrever seu santo nome em minúsculas e, a segunda, por revelar o que me vai no mais profundo d'alma: dízimo é bom e eu também quero o meu. não que eu seja santo. não chego nem perto da sombra de um, mas porque ando vendo e lendo coisas que arrepiariam as bastas cabeleiras - e tome-lhe pecado - do criador que segundo a bíblia, além de bastas eram (será que eu matei o criador com este verbo no passado?) brancas de tão puras (será que ele se tornou impuro, recebeu uns mensalões paradisíacos e a cabeleira empreteceu? ou será que Roberto Jefferson apontou pra ele aqueles dedões, destilou algum veneno sorridente com voz de opereta e ele, zédircelianamente se arretirou?).
bom, voltemos ao dízimo: se pastor iurdiano pode carregar 7 malas endinheiradamente bíblicas (lembra daquela passagem pecaminosa dos 7 vezes 7? ou eram 77?) que cabem mais de 10 milhões de reais, todos iguais e até que nem tanto esotérico assim, por que pobre de eu (aprendi com os deputados e senadores que agora só falam lulianamente: "se ele fala pra mim..." se alguém mim falar" e assim por diante) não merece nem que seja um mensalinho pequenininho assim que seja que eu não sou lá sujeito de grandes ambiciosidades, nem tampouco deputado, muito menos senador e, o que é pior, passo distante de qualquer agência de propaganda no caminho de casa e nem tenho fazendas flutuantes no sul da Bahia apesar de ter nascido mineiro.
precisava grandes coisas não, um dizimozinho bem abaixo de 10 milhões me bastariam. qualquer conto de réis. nem precisava me tornar sócio da telemar numa empresa de joguinho eletrônico ou filho do chefe. era mesmo qualquer mensalinho. ahh...não pode mensalinho? então, coligado vossa excelência, liberaí um quinzeninho. também numpode? tudo bem, um semaninho, poisnão? qualquer coisa genuína (nomezinho azarado!) e eu fico severinamente "sastifeito". pelo menos vai me tirar do bico do urubu por uns tempos e, se a pf não me achar, é bem capaz de que até bote meu burro na sombra. aí eu vou me embora pra pasárgada. agora, aqui pra nós, excelências, aí tem mais lama do que o que sobrou na indonésia depois do tsunami, não é?

quarta-feira, junho 29, 2005

detonando a república?

ética. palavrinha danada de boa de se aplicar...nos outros. na verdade, o que é gostoso de se aplicar aos desafetos não é o conceito emanado pela dita cuja e sim, a falta dele. assim falava o pt de dirceus, suplicys, lulas e genoínos genuinamente éticos. pelo menos em tese. havia todo um ritual ético-petista ao clamar por transparência, ao exigir cpi's, ao gritar por decência na condução da coisa chamada pública e ao exibir, com pompa e circunstância, toda a ética ilibada de guerrilheiros da pátria. e o foram a um certo modo e há um certo tempo.
no final das contas, a ética sucumbiu ao poder e a sua queda arrastou o tapete da república petista deixando às claras o lado escuro do belo discurso que chegou ao planalto dando ares de maturidade à democracia que, paradoxalmente, os seus autores ajudaram, e muito, a construir. é triste a análise. é mais triste ainda a reafirmação de um antiquíssimo axioma de que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.
admirável mundo novo este em que um cafajeste notoriamente acafajestado chegue à tribuna e imploda pilares com pose de ator mambembe de produção de oitava categoria. e que domínio mostrou esse canastrão! e que dominados ficaram acusados e acusadores no picadeiro armado pelo pseudo cantor de operetas! que lírica a reação e quão impávido ficou o colosso a quem pretendiam acuar.
uma pena para a biografia de tão ilustres personagens!

pedaços

na maioria das vezes, a gente tem a impressão que as pessoas que passam pela nossa vida, simplesmente passaram. é uma impressão tão arraigada, tão conceitual que se torna uma daquelas verdades absurdamente absolutas. "o que passou, passou". assim o dizemos sempre. é a verdade mais mentirosa que conhecemos. você pode até discordar agora. amanhã, quem sabe?, reverá o seu pensamento.
quem passa por nós - por nossa vida, sejamos claros - sempre nos arranca um naco e, quase sempre, um naco valioso. pois é, maria. você passou em mim, nos passamos em nós, dez bons anos de altos e baixos, mais baixos do que altos. e agora, outros tantos anos depois, espertamente, você conseguiu fazer com eu revisse o ponto de vista elaborado aí no alto. faz parte do seu ser.
eu sempre achei que toda relação que acabou estaria - pelo menos tecnicamente - acabada. não estava. e a prova de que não estava é que você se mandou desse mundo como o conhecemos, foi conhecer novos lugares, novas paisagens levando junto uma coisa pra mim até então, inadmissível: um pedaço de mim. tudo bem que me deixou algumas outras coisas como uma forma de compensação. mas o que compensa a dor que fica junto, calada, silenciosamente amargando uma das muitas trilhas da vida?
espero que esse pedaço meu que você levou consigo tenha sido um pedaço bom. uma daquelas facetas de "gente boa" que às vezes eu consigo ter. espero também ter várias delas em estoque pois, provavelmente, outras pessoas tenderão a me tirar mais nacos como um dia eu irei tirar delas.
falo tanto de um pedaço de mim. e continuo errando. no fundo, ao ir-se para outras plagas, outros universos, você se levou consigo e nos deixou aqui para carpir na sua ausência os nossos erros. você apenas se levou e se deixou levar. mansa. sofrida. amada. elogio post-mortem? não. apenas reconhecimento.
reconheço que as mulheres, principalmente as mulheres se envolvem mais, se doam mais. mas nessas questões de amores, elas são soberanas: marcam muito mais ainda. por isso quando se vão arrancam, do fundo de nós, mesmo em meio a atritos, pedaços enormes da alma. por isso, dona maria, de onde quer que você esteja nos olhando, guarde bem esse pedaço de mim. ainda vou reclamá-lo.
DESCANSE EM PAZ, COMPANHEIRA!

quarta-feira, maio 25, 2005

qualquer coisa pode até agradar, mas...

eu, de mim mesmo, não suporto falar de política. mas falo. descarado que sou, falo. andei lendo umas coisas nas revistas e nos jornais a respeito de corrupção de gente graúda...é. somente agora descobriram a ânsia dos poderosos em se tornarem mais poderosos. não é coisa de se estranhar numa sociedadezinha desprezível que mal saiu dos cueiros e já se arvora superpotência. já se arvora até mesmo intermediadora de paz e de guerra. qualquer coisa pode até agradar, mas...não sei, não. acho terrível, por exemplo, essa coisa de o meu neto ter que ficar vendo na televisão a xuxa, angélica, malhação e etc e tal. acho que seria muito mais educativo pra ele - claro se o entendimento que os seus três anos permitisse - dar uma sacada na tv senado, uma lida nos discursos de campanha, acompanhar de perto as negociações que antecedem as nomeações, conversar com gente "de esquerda", do mst, msts, jão pedro stédile - engenheiro que se tornou líder dos sem-terra - coisas assim. cresceria bem mais inocente.
coisa terrível a política. mas é bom pro país. socialmente, educacionalmente - vide o exemplo edificante do jefferson, do collor e assim por diante. não que eu tenha algo contra eles. não tenho nada com isso e pretendo não ter. de forma nenhuma. inclusive para me manter como sou. idiota. ignorante. inocente, puro e besta. e por isso mesmo, culpado. de tudo. carrego comigo toda a culpa do mundo. a culpa de achar que mudaríamos. a culpa de achar que os "companheiros" cumpririam mesmo a sua regra de conduta. mas, tarde demais eu descubro, a regra de conduta ilibada só serve mesmo para quando não estamos sentados no trono (trono mesmo, sem a conotação de privada). quando sentamos no tal do trono, descobrimos então que exercitar o poder de acordo às nossas necessidades é uma maravilha. qualquer coisa até agrada, mas... será que eu falei de política?

sexta-feira, maio 20, 2005

chico saiu do bico do urubu

chico é um cara sério e que nunca sai do sério. como quase todos os chicos que conheço, chico é, simplesmente chico. não é um josé francisco ou um francisco josé. é chico. e saiu do bico do urubu ontem quando comemorou CINQUENTA anos em meio a festa num palco de teatro com nome poeta e presença de autoridades. realmente, é foda! o chico. e o que é melhor no chico é que ele - não sei sequer se chegou a ver - passou por guerras revoluções, golpes, contra-golpes com o melhor sorriso de campeão mundial de futebol. um sorriso de todos os dentes, com a cara toda. chico é bom de riso. chico é bom de papo. até mesmo quando se finge de viado (sem ofensas ao animalzinho que walt disney eternizou como bambi). é. ele se finge de viado pra grampear mulheres. e as tem, muitas, variadas de idades, cores e formas. todas o amam e todos o invejam. discreta e secretamente, mas invejam a sua capacidade de não se abalar nem com um terremoto, de não se deixar arrastar nem por tsunami. pro chico tudo tá bom. bom demais da conta - lá vou eu com a mineirice mal disfarçada - e, talvez um pouco além.
nunca o ví triste. nunca o ví cinzento. a carequinha disfarçada pela carapinha quase raspada e cuidadosamente escovada, a barriguinha indiscreta fazenda uma bola de futebol de praia debaixo da camisa social são sempre ofuscadas pelo brilho da sua alegria(?), felicidade(?) sei lá...agora, me diga, como é que alguém faz cinquenta anos e fica bailando, sassaricando que nem pinto em bosta cheio de felicidade? pois, chico faz isso. Já levou dedada de médico no badi pra ver se a próstata tava boa e nem chiou. muito pelo contrário, riu que nem louco e saiu espalhando o feito pra todo mundo saber: "agora sou cem por cento". tá amarrado! levar dedada nos recônditos do ser e ainda ficar feliz? vade retro!
mas é. a festa cinquentenária de chico foi, como dizem os bloggeiros, blz. e olhe que, quando começaram essas orgias natalícias, a coisa era bem mais humilde. as primeiras foram no pé-sujo do seu zé, um baiano com cara e cabeça de cearense e sotaque paulistano (políticamente incorreto eu estou) que vende fiado pros funcionários da prefeitura sem cobrar juros - mas sempre enfia uns trocadinhos a mais na caderneta do besta - era coisa pouca. mas este agora veio assim que nem casamento de ronaldinho: chique. da hora.
e chico é simplesmente, um motorista. é um motorista com alma de artista, cabeça de poeta e alma de filósofo. que continue assim pelos próximos cinquenta anos. evoé, meu rei!

quinta-feira, maio 19, 2005

lulei severinamente!

Tou mesmo no bico do urubu! definitivamente! aminusculei-me! e, o que é pior: lulei! lulei severinamente! tou apaixonado pelo jeito sem jeito de lulagovernar. sério, camarada! não tem nada melhor do que a cara do capitão desse imenso barco (caravela, será?) quando participa de eventos trabalhistas tipo concentração de trabalhadores do abc paulista ou, bem melhor, de concentrações de sem-terra em frente ao palácio do planalto. é do baralho! (substituição de letra políticamente correta).
a d o r e i a cartilha elaborada pelo japinha - lula o chama assim, o dirceu, idem portanto, posso chamá-lo também afinal, votei no lula - dizendo que não se pode chamar mais ninguém de tampinha pois pode ofender as tampas. que sacada magistral! regras para um comportamento políticamente correto. sejamos bem educados! nada melhor do que sentar à mesa de um pé-sujo (oooops!) qualquer pra ingerir uma cerva gelada e chamar o garçom com aquela fleuma quase britânica, perguntar-lhe o nome, para não chamá-lo de "negão" e dizer-lhe polidamente: "vossa senhoria é um belo exemplar de afrobrasileiro". taqueopariu! que beleza!
voltemos pro começo de tudo. me apaixonei pelo lula. gosto muito daqueles discursos sem roteiro e, por isso mesmo, sem pé nem cabeça, elaborados pela sua equipe - leia-se dudamendonça pencas e companhia - mas, gosto. gosto de me abalar, quando ele viaja e, nas reuniões faz aquela cara de nordestino apaulistado danado de inteligente. agora, que golpe de mestre lulinha perpetrou quando juntou xiitas, maronitas, sunitas e outros árabes afins numa grande congregação lá em brasília só pra sacanear o grande bush (que, por sinal, em inglês significa arbusto e será, meu deus?! poderia ser confundido com aquele arbusto do barato?). foi um bafafá federal! imagine os árabes pagando 200 dólares pra garotas de programa (antes elas cobravam 200... reais) inflacionaram as periquitas, dolarizaram a coisa. bom. isso só um gênio como lula para imaginar e perpetrar. no final, qual foi mesmo o resultado daquela babel?
vamos pro meio, ou pro começo seja lá o que for. lula é massa (baianamente correto, apesar de mineiro) mas o que eu mais gosto no governo lula é lula lá fora. viaje, companheiro. viaje que aqui a gente se cuida melhor. viaje que faz bem pra dona marisa, pros seus meninos - cultura cosmopolita que não se aprende nos sertões de pernambuco nem nas oficinas do abc.
talvez seja por isso que, apesar de gostar tanto do lula ainda prefeiro severino com aquela cara de sei lá o que e aqueles discursos fantásticos. nós todos nos merecemos. severinamente.

segunda-feira, maio 16, 2005

No bico do urubu

No bico do urubu é uma forma do povo lá da República Livre de Itapuã se referir à falta de grana ou a uma situação ruim. Taí o que eu fui arrumar! Mal entrei no mundo dos bloggados, morrendo de fome, meidiaemei, já alguém lê a besteirada digitada e tasca-me uma resposta pelas caixa de peito e... eu, descarado que sou, esfomeado que estou, me animo a responder (calabocaestômago!).
Viciante, vicioso mas, danado de bom, esse negócio de bloggar com os outros. Melhor que isso só pescando ou lendo João Ubaldo Ribeiro (já me redimo do Don Brown).
Mas, falemos sério uma vez na vida. Lembra do Big Blogg...perdão, Brother Brasil 5? Pois, agora posso expressar mundialmente a minha revolta contra aquela turminha que me exilou da minha rede, do meu canto, da telona da TV que me ninava nas noites mornas de Itapuã mostrando cenas africanas do deserto do Serengheti ou das Savanas (também africanas, mas sei lá de qual país?). É. Eu sou assim. Doméstico, domesticadamente doméstico. Singelo. Inocente, puro e besta que fica roxo quando, por acaso, trocava de canal e caía no Sexy Hot (perdo-me, Don, o evangelizador, mas pecar mesmo que transitoriamente ainda continua bom). Mesmo assim, me exilaram. Eles todos e elas também. Quando anunciavam aquela droga, me exilavam da minha inocência e me jogavam pro bar ao lado. Jean Willys (isso é lá nome de gente?) e sua trupe conseguiram o que nem minha sogra – que Deus não a tenha por perto, nunca – conseguiu. Me tirar do recesso do sacrossanto lar!
Jean com aqueles dentes parecendo barricada de marfim e a doçura de um salto de gazela savaneira (Gazela de Thompson, segundo o Animal Planet), as mulheres, algumas ....ah meu pai celestial! E os outros... todos eles... daqui destilo meu rancor e a minha vingança: Soy Bloggero!