na rua, na chuva ou na fazenda

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quarta-feira, agosto 10, 2011

direito de arena no carnaval... quem seriam os bois mesmo?

direito de arena no carnaval?
pipocou, por esses dias, uma discussão muito interessante no desinteressante cenário carnavalesco de salvador-capital-da-bahia: a cobrança do direito de arena por parte de blocos, trios et caterva que "desfilam" nas ruas e avenidas da cidade. essa discussão promete. o quê, ninguém sabe. mas promete.

interessante é ver o posicionamento do band leader do chiclete com banana, um dos "ícones" da "música" carnavalesca da bahia, "bell" (originariamente "béu") marques que declarou peremptoriamente que "se quiserem acabar o carnaval, que acabem!"

falando em acabar, vou findar por acabar a tecla de aspas de tanto usá-la. concordo com o estridente chicleteiro (pena que a goma de mascar não grude sua boca): acaba! e logo!

voltemos à peleja: a idéia é interessante mas parece que esqueceram de incluir no pacote de beneficiários desse tal direito de arena, quem, de vera, entra na arena: o povo. é. aqueles milhares de pessoas a quem chamamos genericamente de povão, eliminando de vez o indivíduo, fica de fora. justo ele (o povo, zé povinho, povão... chame como quiser), é quem fica de fora. o que seria de béu, sem o povo atrás do trio elétrico em que ele toca e diz cantar? me diga! o que seria?

por favor, incluam o zé povinho nessa dança. afinal, sem ele, não existiriam os camarotes (que foram construidos para que ele fosse observado durante sua catarse carnavalesca), béu (atualmente "bell") não teria ficado milionário e mais presunçoso nem o carnaval baiano, que foi feito por ele e para ele, não teria sido destruido como o foi.

falando nisso, tenho que me lembrar de pedir desculpas ao béu ou bell marques por tê-lo citado (e somente a ele) deixando os outros "grandes nomes" de lado mas a culpa é dele mesmo. quem manda fazer jus à tradução da transmutação do seu apelido? até onde me lembro das parcas aulas de inglês nos tempos em que ainda existia o "ginásio", "bell", significa sino, campainha e outras coisinhas relativas a estridência. e "bell" é sim, estridente. in extremis.        

sábado, abril 16, 2011

camões, beethoven, drummond, bach, castro alves, yeats… in memorian

Em um cenário digno de hollywood do dendê, premiou-se, dias atrás, a nata da produção musical e, por tabelinha, literária no âmbito carnavalesco da bahia. não entremos em detalhes quanto a quem organizou ou outros tópicos deverasmente importantes mas que não cabem nas parcas linhas deste post que pretende homenagear (lamentando) tão somente a verve criativa dos nossos mais prolíficos músicos e poetas atuais. inventores de novos e multi-utilitários vocábulos (?) como "tchubirabirom" que significa... hmmm, bem, é... deixa pra lá! mas pode ser utilizada – segundo seus criadores geniais – para designar "comida", esses artistas tiveram e terão, se dependerem da organização do nosso nobel carnavalesco, seus quinze minutos de fama ad saeculum saeculorum. tudo bem que eu sou um velho chato, irascível e intolerante no que diz respeito à nova música popular da bahia, mais comumente chamada de pagode. a começar pela nomenclatura das bandas, pela monocórdia melodia (?) que se convencionou apelidar de suingue (do inglês "swing"). daí em diante, o resto é pior ainda.

no tocante às letras – e aqui está a razão de ser do título e da postagem – façamos uma homenagem aos poetas e músicos citados acima e também àqueles não epigrafados transcrevendo-as neste espaço. E aí vamos nós:

para drummond:

Acelera aê
(tentemos lembrar algo drummondiano que possa, de alguma forma, parecer com isto)


 

Mão com mão

Eu, você, curtição

O beat é bom

Pense bem, mente sã, corpo são

To feliz, to afim, to legal

E nesse astral

Vou ficar até o amanhecer

Acelera aê

O coração

Hoje é dia de Ivete!


 

Para camões:

Liga da justiça
(um épico...)


 

Superman ficou fraco,

O pingüim jogou kriptonita

Lex Luthor e coringa roubaram o

Laço da mulher maravilha

Liga da justiça toda dominada,

Agora só tem uma saída!

Foge! Foge, mulher maravilha.

Foge! Foge com o superman.


 

Para (...ah, esta é universal!):

Tchubirabirom


 

Olha pra frente, pra frente

Cintura, cabeça tchubirabirom

Eu disse dancinha legal,

Todo mundo vai fazer

É nesse carnaval,

Eu sei que vai ferver


 

Você quer, tome aí,

Swingueira pra mexer

Pega na cabeça e vai


 

bom, aí estão as três pérolas do grammy do nosso cancioneiro no quesito literatura (poesia, letra, lirismo e o escambau). quanto à música... bem, tentem se lembrar da complexidade harmônica dos acordes e terão formado assim, uma opinião absolutamente concordante com aqueles que as escolheram como a quintessência da musicalidade baiana. e, ao ouvi-las (somente as três premiadas) mentalmente, dediquem-nas a beethoven que, por sorte, já não está entre nós faz tempo e, além de tudo, ficou surdo. melhor do que se tchubirabirom. pobres dodô e osmar!


 

em tempo (e para dar a cesar o que é de cesar) os laureadíssimos autores dessas pérolas acima transcritas são: gigi, marcos santana, fabinho o'brian e dan kambalah (acelera aê); márcio victor e j. telles (liga da justiça) e léo santana, nenel, saulinho e osmar cardoso (tchubirabirom). e vocês não imaginam a dificuldade que tive em escrever tchubirabirom tantas vezes... quem acabou me socorrendo foi o velho "ctrl c + ctrl v"

quinta-feira, março 10, 2011

vencimento de prazo de validade


depois de um dia de semana daqueles pra lá de parados - na paradisíaca imbassahy, acabei descobrindo, três dias depois na unidade de tratamento semi intensivo do hospital jorge valente, em salvador, que o meu prazo de validade está praticamente vencido. num primeiro momento, pensei seriamente em prestar queixa do chefão ao procon ao qual ele, como qualquer fornecedor, deve explicações e, em caso de 'queixo duro' ou molhação de mão... meter bronca nas instâncias superiores. mas aí esbarrei numa parede solidissíssima: quem é ou qual é a instância mais superior do que o dito cidadão (do qual não ouso dizer o nome para que ele, irritado por ter sido citado nominalmente, abrevie ainda mais o tal do prazo de validade determinado para esta pessoa cá que, diga-se de passagem, não vale tanto assim)? fosse cá embaixo da linha do equador, pras bandas de brasilha, onde semianalfabeto se torna membro de comissões de cultura e vorazes devoradores do dinheiro alheio sob todas as modalidades de ladroagem são elevados às comissões de ética, reforma política e de cara... poderia dar um jeitinho já que dizem que o supra citado cidadão lá de cima é brasileiro. deve ser não, menino! deve ser não. vai ver, ele só se diverte com quem acredita nisso!

se eu fosse mais corajoso (ou cara de pau) como os caras lá de brasilha (o pior é que eles são de todos os lugares deste lugar chamado brazil, por alguns, e de puteiro, pelo finado cazuza), se eu fosse mais corajoso, faria um trato com ele, o grandão lá de cima: ele pararia com essa coisa de meu prazo de validade vencido ou já vencendo e eu passaria a acreditar piamente em tudo o que contassem: papai-noel, prêmio individual da mega-sena hiper-duper acumulada com aposta mínima; país do futuro; desemprego em queda vertiginosa(vertigem, a bem da verdade, sentí no dia que o relógio interno acionou o alarme de que esta peça aqui está passando do prazo). acreditaria ainda que luizignatiululadasilvaprimeiroúnicoeeterno foi mais milagreiro que padim pade ciço e salvou a terra brasilis de tudo de ruim que seus antecessores deixaram prontinho o pra estourar na cabeça da gente. ave, lula! qui ingressus morituri te salutant (cruzes! latim mais tosco só se acha assim!).

mas, querido chefe - tomara que puxasaquismo adiante - acredito mesmo é no senhor e, vamos deixar para a hora agá ou fora da hora agá. cheguei na letra jota e agora é tarde pra pular de letra ou dizer que perdí o começo do alfabeto. seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu (até mesmo no de brasilha).

p.s.: quando a enfermeira adentra o apartamento 207 do nosocômio onde the clock is ticking minhas veias, outrora pujantes e varonis, na mais acovardada e ignóbil atitude, escondem-se feito toupeiras. não há um pingo de coragem nesses canudinhos. falando nisso, alguém aí conhece alguma história - que não seja a de benjamin button - de driblar essas tais "fatalidades"? parece ser urgente conhecê-la!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

dalila, carnaval e o pó - dust to dust - que morra a poesia e viva o tomate!

de acordo com o vaticínio, “cadê dalila” foi premiada como a “música” do carnaval de salvador. oficialmente? extraoficialmete? informalmente? cafungadamente? são perguntas irrespondíveis por enquanto. porque, extraoficialmente, tudo é oficial no carnaval de salvador. varia de acordo com a emissora de tv, a emissora de rádio, o jornal “a”, o jornal “b”, o jornal “c” e, claro, o tamanho do jabá que corre nas laterais do campo.
não é a primeira vez que a música, de mãos dadas com a droga, caem na boca (no nariz, ouvidos e veias) do povo. temos exemplos clássicos que vem de kingstom; das ruas – abaixo do nível do mar – da holanda; de las plantaciones cocaleras de colombia y venezuela; e dos morrões fumegantes do brasil. nada a ver e tudo a ver. a explicitude é fantástica nesses tempos bicudos de crise financeira mundial. o melhor de tudo é que é um filão e tanto! enquanto as bocas se abrem – se escancaram, na verdade -, as burras de quem as comandam e, por comandarem-nas, comandam também quem se sustentam de la leche que elas emanam, se enchem.
no carnaval baiano não foi diferente posto que, indiferentes ao seu sentido, muitos se esbaldaram aos gritos de “cadê dalila?” e às súplicas de acharem-na o mais rápido possível. dalila desceu e subiu os morros para se consagrar no asfalto nas narinas e nas cabeças de todos. sem a serpente mas sendo serpentina branca, espalhou-se na bandeja negra dos circuitos carnavalescos e tornou-se hino de quem aprendeu e se tornou mestre na arte de ganhar com a desgraça alheia. aliás, o garotinho de pouco mais de oito ou dez anos que se perguntava por ela, visto nas telas da tevê nos últimos momentos do carnaval, terá o mesmo destino dos seus seguidores? tanto faz qual deles: se o que a exalta e enriquece ou se aquele que mata e morre por ela.
carnaval é tão bom que a maior pérola vem dele pela boca de um “cantor” que decretou: “que morra a poesia...!” ao dizer que queria “ouvir a galera fazendo barulho” o resto é quase todo impublicável como o que se disse que ivete sangalo disse a um renomado radialista em plena avenida ao ser 'premiada' como “revelação” depois de tantos anos de praia – ou asfalto! se dalila já é assim... como será sansão?

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

carnaval, dalila em pó - dust to dust

sincera e honestamente, a nova música baiana não embala minhas noites, nem meus dias, nem meus momentos, nem minhas viagens. novamente, já é (já foi) carnaval, cidade! e ivete sangalo, daniela mercury, cláudia – originalmente leite e agora leitte - fantasmão, psirico, bandas nãoseidasquantas, parangolé (traduzindo: confusão) e outros tantos esquisitos – talvez esquizofrênicos – desandam (enquanto tresandam a falar e cantar bobagens) a encher nossos - seu, talvez não porque voce pode adorar – ouvidos de merda monocórdia.
imaginem que a música – pode se chamar assim? - que deverá ser eleita a “música” do carnaval chama-se dalila. alguns tolos metidos a críticos ou historiadores metidos a musicólogos dizem que o seu autor remete-se à bíblica figura do mesmo nome. outros, nem tão tolos, nem tão inocentes e nem um pouco marqueteiros vão fundo na questão e desvendam o grande segredo: é apenas o marketing da cocaína. é! é verdade! é assim que o pó é chamado nas bocadas, nas quebradas, nos becos, nos guetos e, sobretudo, nas bocas. vai buscar dalila! correndo! é assim que se pede o papelote.
do outro lado, dizem que foram buscar em angola africanamente ancestral a nova dança da moda: o kuduro! (o 'rap' que se pratica por lá). e todos se poem a dançar e cantar o refrão. Se na questão de dalila cocainônama a coisa é uma droga, a música pretensamente angola soa a merda. e a platéia aplaude e ainda pede bis. enquanto isto, em brasilha, todos se calam diante da podridão do congresso. calamos, portanto consentimos. na merda, no pó (dust to dust) e na corrupção! e viva o povo brasileiro!