sabe aquela visita tão indesejada
que sempre chega intempestivamente à sua casa sem o menor aviso? aquela, que
quando chega lhe dá ganas de se armar com todos os calibres possíveis e
imagináveis de engenhocas de destruição em massa e detonar todas elas de uma
vez na cara do (a) desinfeliz? pois, após um final aterrorizante protagonizado
por 2011, 2012 chega – sem que eu o tenha chamado – à minha porta, entra sem
ser convidado ao meu tugúrio e me deixa igualzinho a você em relação a visitas
indesejadas: com uma vontade sem par de pegar todas as vassouras disponíveis e
postá-las atrás de todas as portas existentes na casa. dizem os sábios que
vassouras atrás de portas são um dos expulsa-indesejáveis mais eficazes de todo o arsenal
de simpatias estocados na sabedoria popular.
vá logo, 2012! e vá de vez para
que não tenhamos que passar por tudo que 2011 se esmerou em nos prodigalizar.
não tenho, e que fique definitivamente claro, simpatia alguma pelo “novo”.
salvo algumas poucas exceções como o mais novo modelo de jato executivo para
três pessoas (infelizmente, tenho que aceitar a inevitável presença de piloto e
co-piloto já que não sei dirigir aviões); uma ilha tropical em pleno mar do
caribe com um sofisticadérrimo sistema anti-ciclone, anti-tsunami,
anti-terremoto, anti-brazil e brazileiros daqueles que habitam brazilha de
segunda a quinta e, sobretudo, com detector de penetras como a coitada
daquela capivara que achou que o prédio do stf seria um local livre das pestes
que assolam o país com origem (cientificamente comprovada) em brazilha. na sua
ignorância capivariana, a inocente parente dos ratos deve ter achado que
estaria em família.
claro que, nessa exceção posso
incluir também um castelo como aquele daquele menino lá das minas gerais; uma
empresa de consultoria turbinada como a do doutor palocci e alguns outros
“consultores” (e nisso vale até mesmo o ex-barbudo ignatius da silva que
idolatra tanto o venezuelano de botas que até somatizou e se deixou acometer
por uma neoplasia – com que finalidade eu não sei. me escapa esse tipo de
profundidade em idolatria). poderia também incluir uma maseratti tipo uma
daquelas que o berlusconi usava como isca para rabos de saia que borboleteiam
os bivaques do poder. e algumas outras novidades por aí afora. afinal, não
posso radicalizar, pois, como diria uma antigo rapaz latino-americano sem
dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do interior, “o novo sempre
vem”.
mas o novo, da forma como foi
engendrado pelo velho, sinceramente, eu não quero. como se diz na mesa do
dominó de arembepe, “passo”. e não estou blefando como em jogo de poker. passo
mesmo! a última e talvez melhor amostra do que vem por aí, nesse tal de novo
ano, foi aquela do filho de jader barbalho na posse – garantida pelos homens de
toga e pelos bobos que votam – de um mandato que a lei da ficha limpa, se não
fosse mais uma das lendas brazileiras, teria impedido.



