na rua, na chuva ou na fazenda

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sábado, julho 09, 2011

conselho e água...

prefeitos presos na Operação Carcará (rep. revista ISTOÉ)
deveria ter sido um dia comum para mim e para milhões de outros “eus” como este que
lhes escreve. não foi. de súbito, uma revista jogada na mesa de centro da barbearia abre
sua reportagem e me joga contra uma realidade à qual não me habituo nunca: escândalos,
denúncias e prisões de ‘autoridades’.

deveria me rejubilar: “estamos entrando nos eixos da civilidade!” não pude. que civilidade
é esta onde aqueles que escolhemos para nos representar ou nos gerenciar não nos
representam, não nos gerenciam e, tangencialmente, nos roubam? fica complicado pensar assim, viver assim.

que mal há, afinal, em se acrescentar dois ou três zerinhos a mais ou a menos aqui e ali? que mal há em se tentar ajudar aquele compadrinho que a gente conheceu semana passada e nos
conselhos ao pé do ouvido...
mostrou a sua empresazinha tão arrumadinha? que mal há, gente do céu? que mal há em se ter uma pequena empresa que cresce apenas 86.500 por cento? só porque o pai do dono - por sinal, menino bem empreendedor - é ministro do governo lá em brasilha?

Por essas e outras é que um amigo, ex-prefeito, e apesar de tudo, ainda quer voltar a sê-lo se cerca de cuidados: não fala a sério no celular, só conversa em mesas de bares lotados onde ninguém ouve ninguém e se cala em meio aos silêncios alheios. certíssimo. nesses tempos bicudos onde uma simples licitação gera tamanhos mal-entendidos que resultam em barras na janela...

...acabam assim.
eu até teria alguns conselhos a dar a ele e a quem mais interessar possa. no entanto, como conselho (provado por patinhas, milionário por saber aconselhar lula et caterva) e água (provado pelas empresas de abastecimento) só se dá a quem paga...

sábado, abril 16, 2011

curtas e... nem tão grossas assim

subvertendo provérbios.
original: “debaixo desse angu tem carne!” – na relação do governo da Bahia e o mst deveria ser: debaixo dessa lona tem churrasco. por causa da doação de 600 quilos diários de carne a integrantes do mst que acamparam (para não dizer invadiram) a área da secretaria da agricultura do estado, o ministério público estadual deve instaurar um processo para investigar a utilização de dinheiro público para essa compra e também para a criação de infra-estrutura (banheiros químicos, lonas e otras cositas más) para os invasores permanecerem no local. autoridades governamentais estranharam a grita geral provocada pela atitude alegando que o mst é um movimento social e o governo tem obrigação de apoiá-lo. na última sexta-feira, os integrantes do movimento foram à assembléia legislativa para participar de uma sessão que lembrou o massacre de eldorado dos carajás, ocorrido há 15 anos, no pará. armados de facões que foram usados na devastação da mata que cerca a área da secretaria que ora ocupam, os militantes foram em peso. o convite partiu de um deputado. em tese, lá não se deveria entrar nem com um cortador de unhas.

original: “direito tem quem direito anda” - quem acreditava que o direito de ir e vir preconizado na constituição era sagrado, acaba de constatar que o sagrado já não é tão sagrado assim. como rosas em um imenso jardim, praças de pedágio florescem a cada manhã em nossas estradas. salvador, por exemplo, já está cercada deles. portanto, o seu direito de ir e vir, tem preço. e, às vezes, alto. pior: as estradas continuam esburacadas, com péssima sinalização, sem acostamento e sem duplicação. essas melhorias, que deveriam vir antes da cobrança, ficaram todas para depois. e existem alguns descalabros: o mais gritante deles é o da estrada do coco, onde moradores de camaçari para ir de uma lado a outro da vila praieira de jauá tem de coçar o bolso. portanto, direito tem quem direito paga!

de boa:
políticos de todas as matizes (localizadas na oposição) se abespinharam com uma declaração que sugeria que o povão já não deve ser mais o público alvo da categoria. a justificativa baseava-se na simples constatação de que, aquinhoados a torto e a direito por programas sociais do governo (bolsas isto e aquilo), o povaréu já não se entusiasma tanto com o discurso de mudanças proposto pela oposição. e tem razão. mudar pra que? é melhor jogar dominó à sombra de uma ingazeira nos sertões nordestinos e correr de bala perdida nas favelas cariocas tendo dinheiro em caixa no fim do mês do que ficar ouvindo conversa de cerca-lourenço de quem, volta e meia, enfia dindim pelas meias e outros cantos menos votados ou então se manda pra espanha ver uma partida de futebol.